Uma tábua de churrasco é considerada nobre
quando a escolha da madeira vem antes de tudo.
Não é só sobre cortar carne.
É sobre a madeira usada,
o tempo que ela levou para existir
e o resultado visual da peça pronta.
Uma madeira para ser considerada nobre
precisa atender alguns pontos básicos.
Ela precisa ter:
-
boa qualidade
-
beleza natural
-
resistência
-
durabilidade
São madeiras que não crescem rápido
e não aparecem em grande quantidade.
Por isso sempre foram valorizadas.
Desde os primórdios do Brasil colônia,
madeiras nobres foram usadas
na movelaria,
na confecção de ferramentas
e até em instrumentos musicais.
Elas eram escolhidas
porque funcionavam melhor
e duravam mais.
Madeira maciça: quando a madeira é o destaque
Uma tábua feita em madeira maciça
tem bastante espessura
e presença.
Isso significa que há mais madeira na peça,
o que ajuda no uso diário
e no tempo de vida da tábua.
São tábuas que:
-
aguentam uso frequente
-
demoram mais para mostrar desgaste
-
passam sensação de firmeza
Por isso são muito usadas
em peças de maior valor
e uso prolongado.
End grain: técnica que muda o jeito da madeira trabalhar
No end grain,
a madeira é usada “em pé”.
Em vez de aparecer o lado da madeira,
aparece o topo das fibras.
Cada bloco vem de uma parte diferente do tronco.
Como a árvore não cresce igual em todos os pontos,
cada bloco tem um desenho próprio.
Isso faz com que:
-
cada tábua fique diferente
-
o visual não se repita
-
a madeira reaja melhor ao uso
É uma técnica que valoriza
tanto o uso quanto a aparência.

Burl: quando a árvore cresce fora do padrão
O burl aparece
quando a árvore cresce de forma irregular.
Em vez de crescer reta,
a madeira se desenvolve em várias direções ao mesmo tempo.
Isso acontece por fatores naturais,
como o tempo de crescimento
e a forma como a árvore reage ao ambiente.
Por causa disso:
-
os veios ficam mais concentrados
-
o desenho fica mais fechado
-
não existe padrão repetido
Cada corte revela um desenho diferente.
Por isso nenhuma peça fica igual à outra.
É o tipo de madeira
mais difícil de encontrar
e mais limitada.

As madeiras maciças que trabalhamos
Algumas madeiras se destacam
pela beleza e pelo resultado final.
A peroba rosa chama atenção
pelos tons quentes
e veios bem marcados.
O roxinho tem cor mais escura
e contraste forte.
A muiracatiara apresenta desenho vivo
e muita presença visual.
O louro preto tem aparência mais sóbria
e elegante.
A guajuvira e a garapeira
entregam resistência
e identidade própria.
Cada madeira reage de um jeito.
Cada uma gera um resultado diferente.

O que realmente agrega valor
O valor de uma tábua nobre
não está em detalhes exagerados.
Ele está:
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na madeira escolhida
-
no tempo que ela levou para crescer
-
na limitação da matéria-prima
-
no fato de não existir outra igual
São peças feitas com calma
e sem repetição.
